Videiras

Foi calado sob um céu estranho, que me reencontrei vagando através da longa rua dos desencontros, carregadas nuvens fechando-se sobre o mundo, ameaçando obscurecer qualquer vestígio de coisa particularmente familiar na opacidade de tudo. E nesta cidade cinzenta de meus pensamentos envoltos em uma gravidade mais densa, tudo o mais ascende como fogos-de-artificio ou uma salva de tiros contra a resistência infalível do ar. Tão … Continuar lendo Videiras

Lutando contra as misérias do cotidiano

A notícia de que estava longe chegou tarde, e não faria diferença, como sempre foi, como é preciso que seja. Perceber é infusão entre o cedo e o tarde demais, grandes elos corroboram a ancorar, os mesmos anelos que fazem desistir e voltar atrás. Tão raro é o momento exato de transposição. Mergulhar ou flutuar, manter-se temporariamente alheio a toda poderosa força que faz o caminho, permite … Continuar lendo Lutando contra as misérias do cotidiano

Excertos da noite mais do que escura

Com tudo que é até afundar no desespero, Procurar além da ordem abismal na angustia, Percorrendo e encarnando a noite, Quando não é mais possível ser inocente, Oculto a sombra noturna, Animais nocivos transfigurando medo, Como um vazio de presas a mover-se, E vagar pelos cantos escuros. Ainda mais densos e tangíveis na penumbra, Contudo ainda arde alguma coragem, E é preciso ver que há … Continuar lendo Excertos da noite mais do que escura

Sempre tarde demais

Nostalgia da tristeza, Nostalgia da juventude, Tempo de ouro, Dum coração sem sorte, Casa vazia, Teias florescendo, Da aranha dos sonhos, Poeira, Punhado, Pá, Cal, Grão a grão, às vezes, Punhado a punhado, às vezes, E às vezes a ultima pá, Segundo a segundo, Ano após ano, Soterrando, Grãos, punhados, sacos, Tudo que é tempo, Da volta eterna dos ponteiros, E como nos sonhos, Tudo … Continuar lendo Sempre tarde demais

Desconsolo

No peito, há sempre este ardor, Não sei a que custas arde, Mas arde ainda que não saiba, Uma angustia desviada para rotas longínquas, Não sei o seu nome — onde encontrei que esqueci? Soube um dia, e perdeu-se num vento, Encantou-me naquele tempo, qual não sei, Sei que me incomoda dum vazio: “não mais será”, Esquecido de algo a respirar, Falham-me os passos, quebrados … Continuar lendo Desconsolo