Na orla das luzes

 

A hora chegou,
E o que esteve lá, escapou com os últimos raios de Sol,
E estivemos observando atentamente na saída,
Num tempo subitamente mudado,
Conjugando todas as marcas expostas que o dia deixou,
Reluzindo no escuro em que tateávamos: “e agora?”,
Tentando cobrir sem encobrir o calor remanescente dos sentimentos,
Ao frio desalentador de estar mais uma vez no mundo vulgar,
Quantas luzes em seu olhar, bem mais do que a anoitecida cidade,
Ameaçando se apagarem pelos cantos inabitados de toda essa gente,
E meus dedos amarelados, sujos de brincar com a areia e o vento,
Aventuraram-se através da neblina delicada e frágil da penumbra,
Envolvendo-a no aperto dum abraço,
Tão feridos de luz e verão infinitos,
Com a pálpebra macia daquele sonho evanescente,
Conjurando todos os deuses do vento,
Descobrindo a nudez do silencio em vastos campos verdejantes,
Através do revoltoso e enluarado mar,
O beijo.

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Videiras

Foi calado sob um céu estranho, que me reencontrei vagando através da longa rua dos desencontros, carregadas nuvens fechando-se sobre o mundo, ameaçando obscurecer qualquer vestígio de coisa particularmente familiar na opacidade de tudo. E nesta cidade cinzenta de meus pensamentos envoltos em uma gravidade mais densa, tudo o mais ascende como fogos-de-artificio ou uma salva de tiros contra a resistência infalível do ar. Tão … Continuar lendo Videiras

Quando tudo se realizar

E quando imersos, Na sutileza vívida e despropositada em tudo, Preenchendo e transbordando, Com a vida mesma Repleta da mais tácita simplicidade, Como se cada segundo bastasse, Como se cada coisa ou lugar estivesse Intimamente envolvido pelo mais caloroso sentimento Reverenciado pela luminosidade que se derrama Como um Sol ungindo a cumplicidade de nossas presenças, E então, de repente nos entreolharmos perdidos e tão Profundamente … Continuar lendo Quando tudo se realizar

Naquele bar

“Das coisas que não se realizam por excesso, para as coisas que não são por não terem cabimento” Neste bar, em que nos sentamos eu-tu, Os braços do encontro se estendem, Quando nossos dedos se esbarram, Ao costume da intimidade, o luar, Para servimo-nos de música, E arrojado é o frio da garrafa, Enquanto quente a dose destilada, Transversalizando mais que dois copos para dois, … Continuar lendo Naquele bar

Lutando contra as misérias do cotidiano

A notícia de que estava longe chegou tarde, e não faria diferença, como sempre foi, como é preciso que seja. Perceber é infusão entre o cedo e o tarde demais, grandes elos corroboram a ancorar, os mesmos anelos que fazem desistir e voltar atrás. Tão raro é o momento exato de transposição. Mergulhar ou flutuar, manter-se temporariamente alheio a toda poderosa força que faz o caminho, permite … Continuar lendo Lutando contra as misérias do cotidiano