O Ilusionista e o Elefante, ou O incêndio refletido nas águas

Atuar, Mentir, Inventar, Truque, segundo o qual, Fez o ilusionismo de sumir o elefante, Ainda que às vezes, com todos os silêncios e espelhos, Envolvendo ao redor, Resista em insistir, no elefante, E fazer sumir tudo o mais, E o que é o elefante? Sempre testando os limites, Era mesmo um elefante?.. O porte, a memória, o marfim, Não era um sistema? – o silêncio, … Continuar lendo O Ilusionista e o Elefante, ou O incêndio refletido nas águas

Do carnaval às cinzas

O Carnaval está acabado, Estamos mortos agora, Nascidos que fomos Para o que não fomos feitos, Fazer vir-a-luz, Vir-a-ser, Dobrados nisso, Até o pó dos ossos, Cinzas, — espalhadas, E o cintilante cão sem plumas, Ficou sem nó, A vagar dentro da treva;   Nosso silêncio é tudo, Garças à beira, Escarpadas penas, E tempestuosa é a palavra, — Cada ida, Uma barcaça cruzando, Sozinha, … Continuar lendo Do carnaval às cinzas

Nuance das dobras

O que fazer? No mais, Vejo essas criaturas Pousando na cabeça do autor, Embromando cabelos Em copos marítimos, Envolvendo rasos medos, Nas praias de uma tarde astuciosa, Fazendo encarar o tédio como lugar dos sem-tetos sentimentos seus, Fizera largar a mão de comungar bem-quereres, Aquietando no desassossego duma noite sem previsão de volta, Aferrando-se a isso qual serpente enroscada a presa, Por fora, E por dentro, … Continuar lendo Nuance das dobras

Para que me rói um Tango

Suor na fronte, delirante, Vida na garganta, pulsante, Verniz, um grito, gravemente, Longamente os meses, Sufoca o beijo, Para solver, ardente, Lentamente amarga, Temor castiga, vacilante, Chicote de pernas frias, Em chão quente para dois, De um lado a outro, Território de entrelaces, Olhares num copo baixo decotado, E os olhos, frente a frente, Já não desatinam, Que dureza e ginga, Vestem luz e claridade, … Continuar lendo Para que me rói um Tango

O Sátiro

Quem não viu a gargalhada plena de escárnio, Num espelho, à curva de toda estrada, Como um espantalho no meio da plantação, Se fazendo de amuleto contra os corvos, Na elevação dos dentes do tédio, Acima do mero bocejo,   Há esse fluido que evapora fervente no corpo, Quando a caminho do coração descompassado, Embriaguez feita a atravessar as noites, Marcando rastros, Deixando o momento … Continuar lendo O Sátiro