Bilhete reencontrado no bolso

  Revendo as notas, E o grave ruído atravessando a sala, Escritos do subsolo, dantes perdidos no  avassalado tremor, Redescobertos na rachadura de um riso, Esboço perfeito do caloroso afeto daquele Sol maior, Mas há coisas que um homem paga por inteiro, Por isso há de haver para toda gestação de preciosidades íntimo da terra, Amigos, antes que homens e mulheres, E claro, perpetrávamos ali … Continuar lendo Bilhete reencontrado no bolso

Nuance das dobras

O que fazer? No mais, Vejo essas criaturas Pousando na cabeça do autor, Embromando cabelos Em copos marítimos, Envolvendo rasos medos, Nas praias de uma tarde astuciosa, Fazendo encarar o tédio como lugar dos sem-tetos sentimentos seus, Fizera largar a mão de comungar bem-quereres, Aquietando no desassossego duma noite sem previsão de volta, Aferrando-se a isso qual serpente enroscada a presa, Por fora, E por dentro, … Continuar lendo Nuance das dobras

Amanhecer por entre as arvores

I.   Posso imaginar uma música assim, Como no curso alegre de um amanhecer por entre as árvores, Suavemente mórbida em algum lugar distante, dentro dela, Como o ritmo lento de um coração em que há depositado muito arcaico que corre em seu sangue, Algo deliciosamente calmo e decomposto, A respiração subterrânea de um rio que sopra do sul, Despudorado nos cabelos embaraçados, Ainda por … Continuar lendo Amanhecer por entre as arvores

Meta-morfose

Há tanta distinção nesse céu azul, Distinção… Distinção… Deixada as sobras da noite densa, Reina vagarosamente um olhar de pássaro Pairando o voo sem pressa, como que enamorado, Antes fosse um planador sem pouso, Talvez pudesse ouvir do tempo: Que a cada amanhecer viria um flautista, Acordar a infância de olhos doces e febris, Como agora, E fazer essa brincadeira, Esse jogo de nada conhecer, … Continuar lendo Meta-morfose