Banho quente

Já era tarde, E o velho Sol se punha no horizonte, Lançando sobre mim o amarelo e o vermelho da ultima baforada  do dragão do poente tão exausto quanto eu mais forte, de certo ainda era forte ainda havia luz causando certo desconforto no corpo vencido Cansado demais para ir-atrás, apenas ficava com olhos fechados vendo a vermelhidão por de trás das pálpebras Arriscando abri-las, … Continuar lendo Banho quente

Desconsolo

No peito, há sempre este ardor, Não sei a que custas arde, Mas arde ainda que não saiba, Uma angustia desviada para rotas longínquas, Não sei o seu nome — onde encontrei que esqueci? Soube um dia, e perdeu-se num vento, Encantou-me naquele tempo, qual não sei, Sei que me incomoda dum vazio: “não mais será”, Esquecido de algo a respirar, Falham-me os passos, quebrados … Continuar lendo Desconsolo

Tu, que hoje com os olhos me veste de um brilho cadente, Confundiu-me ao pássaro acinzentado que no auge da ponta, desfalece, Crivando-me a opacidade do temor, que queima em febre o fio da alma, Más lá, ao contrário, há o fulgor em revoada das asas em chamas, Ondulante no horizonte, em dança baixa pelas relvas silvestres, Se pairavam depressa eram dantes refugos de fumaça, … Continuar lendo