De carnavais e estandartes líricos

 

Esse eu-lírico que nos carnavais,
Quer ser Ceroula,
Pitombeira,
Quer ser meia-noite e
Madrugada,
Ser as flores e
A saudade,
Quer ser estandarte,
E andar entre as lantejoulas gastas,
Como estrelas se apagando,
E dentro da ilustração de antiquário,
Ser o Arlequim-Pierrô,
Tascando um beijo na Colombina,
Rodopiar a braços largos,
Troçar mendigando por tudo o que se sonha em vida,
Brandir a armaduras brilhantes e a lança de uma coragem cega,
Sentir a confusão alegre de uma ladeira cheia de gente,
E a Tristeza sangrada nas dores de uma rua vazia.

Continuar lendo “De carnavais e estandartes líricos”

Videiras

Foi calado sob um céu estranho, que me reencontrei vagando através da longa rua dos desencontros, carregadas nuvens fechando-se sobre o mundo, ameaçando obscurecer qualquer vestígio de coisa particularmente familiar na opacidade de tudo. E nesta cidade cinzenta de meus pensamentos envoltos em uma gravidade mais densa, tudo o mais ascende como fogos-de-artificio ou uma salva de tiros contra a resistência infalível do ar. Tão … Continuar lendo Videiras