Tornado

(Imagem: Pintura de Joseph Lorusso)

Nada a se inventar para apenas navegar,
Ir e vir e ir, ao balanço de um ritmo sem letra,
Comedidos pela própria desmesura da dança,
Segue a melodiosa alfange fundo no sangue,
Até os confins das coisas belas e íntimas,
Nas entranhas do mundo,
Compartilhando suspiros ao espumar das ondas,
Vagando para longe, bem longe,
Num tornado, tornando,
E ver desse vento, vir o vir-a-ser,
Pequenos e indivisíveis,
Entre fúrias e calmarias,
Findos e nus,
Como nós dois.

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William Turner, Shade and Darkness - The Evening of the Deluge

Temporais

 (Pintura de Willian Turner)
Da série: Meu amigo, dia desses começou a chover.

Meu velho amigo, como não lamentar? Se aos irreversíveis apenas conjuga-se dolorosamente em meio aos temporais.
 
Ainda quando entre nós pairam as cinzas das coisas desprovidas de vibração, como um vento fugaz que atiça as faíscas, adentra a morada e revira tudo que estava solto, desvela a solidão das coisas imóveis.
 
O inverno ainda estendia a bainha de suas longas vestes de chuva além do salão onde dançara por muitas semanas, como se fizesse questão de receber e mostrar a morada do mundo à estação recém-chegada, ainda sutilmente o calor do sol tocava as coisas, misturando-se e dissipando o calor dos corpos.
 
Foi durante uma tempestade de primavera, a primeira da estação, que despertei desse longo sono de abandono. Transbordando de ânsias, como os brotos da primeira leva de florescências primaveris, fragilmente desguarnecido na estranheza desse lugar estrangeiro, onde parecia haver chegado como um tronco que arrancado ao solo pela força da enchente das chuvas excessivas, segue carregado pela correnteza, e acaba por ser encontrado muito longe de onde dera por principio sua jornada através de sua queda, em outro lugar, em outra estação.
 
E mais do que tudo longo foi o tempo em que busquei a segurança das coisas que me enraizavam no solo confiável de uma distância intocada.
 
Todavia então, revirado e confuso até o âmago de meu ser, as flores intempestivas brotaram belas ainda que frágeis, e o vento forte e ameaçador também nutria os coriscos de um fogo redentor. E, tendo sido convidado a apresentar um trabalho, lembro claramente como naquela noite, entre diversas injustiças tão palpáveis, chegou até mim o ocaso, e enquanto se iniciava minha fala sobre a tradição e criação, a tempestade se impôs em toda sua plenitude.
 
Enquanto discursava, sem notar minha voz afinara-se ao trovejar, e seguramente quando levantei os olhos, juntamente meu espírito se elevou para vislumbrar o céu desse instante, e como se intimamente contemplasse no relampejar a respiração de uma potencia tão oculta quanto os deuses naquela noite, pressenti no estrondo o ruído de minha queda, assistindo o esgotamento transparecer nas nuvens o raios como as veias e nervos disto que por dentro insuflava-me as vísceras até esse insustentável limite: e um longo e profundo incomodo me atravessou. Meus olhos encheram-se de lágrimas. Senti em um longo deslocamento o próprio do dizer desencaminhado da vida.
 
Mas como naquele instante reencontrasse a mim mesmo, hesitante, procurei como sempre algo de familiar entre os rostos desconhecidos. Ficando a espreita nas beiradas de formular uma decisão: Sob a pele desse instante vasculhei além, buscando nos arredores da estreiteza em todos os caminhos por onde andei nesses últimos anos, no entanto, sem espanto, tudo parecia o mesmo. E então, a encontrei. E possesso dessas forças excessivas continuei a discursar e apenas aos poucos transpareceu a contradição. Nesse enleio percebendo que ela também me notou, fiquei ali parado diante da branca hesitação em seus olhos, revirando-se para o fundo seguro com que se estabelecera ao redor dos meses, mostrando que aprendera a largar o antigo apego conquistando o alheamento de agora, me comunicando que a história fora forçosamente apagada pois assim era possível, e me pareceu triste mais do que justo que também eu por muito tempo o fizera, e na imposição desta força estava circunscrito uma história ainda mais antiga e hedionda, e da qual apenas lutamos longamente pelos espólios de sua miserável herança, e bem antes de nós e de outros companheiros que tivemos, distantes antepassados já nutriam o mesmo fastidioso orgulho. No entanto, o único fato que para mim naquele instante apareceu pesado e claro, foi o seguinte: éramos amigos…
 
Quando tudo acabou, apenas recuei atônito. E para ainda mais longe deslizei no tempo em que permaneci alheio a tudo e todos, conquanto ainda falasse e ouvisse eloquentemente sobre as coisas: e essencialmente quando alguém me reconhecia, o efeito sobre a minha calma era devastador: exasperado fugia, escondendo-me na segurança daqueles dias alegres da juventude; em um longo suspiro formulando a mentira verdadeira, com que, fantasiadas de si mesmas, as palavras ditas não sustentavam o sentido em devir dos acontecimentos.
 
E ao me aproximar do novo, apanhava-me, pelo largo distanciamento dessa curva invisível e acentuada, falando sobre coisas impossíveis de partilhar entre iguais. Foi assim que, negado e desmentido, fui atravessado por uma enxurrada de recordações e espantado abrir os olhos, enquanto os céus trovejavam todas as injúrias lançadas ao redemoinho das lembranças, aquela tristeza irrompeu como o relâmpago iluminando essa hora, e inundando meu ser de angustia.
 
Meu amigo, assim derradeiramente o céu estremeceu e desabou sobre mim, e o que o estrondo desfez e num alto clarão desnudou, pronunciando impiedosamente o que não podia até então escutar, mas ainda que a voz recuasse temerosa de tudo o que estava ao alcance das mãos, tudo ainda ruindo, partindo, quebrando entre os dedos, deixando-me mudo. Nenhum orgulho poderia ocultar as covardias despidas, todas as feridas nuas, restando apenas esperar.

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Esse estrangeirismo pagão

 

Já tão estrangeiro dessas terras cristãs,
Já tão pagão, desses ritos de salvação e condenação,
Que sei de toda a arte de forjar contentas,
Em frágeis esculturas de santos e demônios,
À métrica dos dramas da vontade de suas almas imortais,
E fórmulas do querer,
As orquídeas de suas estufas,
As aves de seus viveiros,
Infernos e paraísos de além-mundo,
E depois, o tanto quanto louvam,
Ao transgredir as pequenas normas e tradições do viver,
A liberação para desejar, o seu livre-arbítrio,
Que sei eu do deus e do diabo dessas conversas,
O quão bárbaro e jovial soa toda pequenina fome de poderes,
Já tão apostrofo para consumir a carne desse deus,
Sob concretude de seus templos, as vergas de aço de um indivisível sujeito,
Se a bussola de toda ânsia aponta para o devir,
Todo sonho é uma nascente, e estuário, jorra do ventre firme da terra,
Através do diverso, navegar ao ritmo de todas as ondas e mares,
E nada de extraordinário há nisso,
Além da própria grandeza ínfima de cada coisa,
Dançar atroz ou calmo a lira da ordinária alma mortal,
E recaio sobre mim todas as dores e prazeres que me ousam,
Me transformam, quase dilacerando as fibras da permanência,
Como a dança típica da terra natal,
E como flama incandescente do sentido,
Se heroicos, os feitos ficam postos nesta mesa,
Na poética linguagem do mais íntimo,
E comem e bebem desta narrativa os amigos, a seu bel-prazer,
Como uma hospedaria em lugares distantes,
Como uma estrela-guia nos oceanos de além,
Entregamos-nos nus aos braços do acaso,
Grandiosas todas as dádivas com que os deuses nos devoram.

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Sobre a escrita #2: Entre os dias e as noites de qualquer coisa, menos uma ficção.

(Obs: Estou construindo uma trabalho de revisão e edição de progressão gradativa a cada novo texto dessa série, quer dizer, no primeiro tópico fiz apenas uma revisão gramatical leve, e neste outro já introduzi alguns elementos de edição, a ideia é que ao final seja possível notar a diferença e a relevância de um trabalho de edição, e particularmente no modo como trabalho)

Foi apenas aos 20 anos de idade que a nevoa daquele limbo começou a se dissipar, e poucos foram os dias ensolarados antes disso, e poucos foram os amigos que estiveram lá, em meio a escuridão das noites intermináveis: aos 20, dei meu primeiro beijo, dormi com uma garota pela primeira vez, comecei a encontrar algumas respostas para o sentido da vida, comecei a gostar de algo em mim.

A mais de 10 anos ouvi o chamado e me entreguei a filosófica via de tentar compreender minha existência no mundo, e foi assim entremeando dentro e fora, que nunca impus grandes impasses entre teorias e práticas, desde os pré-socráticos que buscavam a essência das coisas que como Heráclito pareciam filosofar diante dos templos onde os deuses ainda viviam, até Nietzsche e a derrocada do homem sobre os ideais acerca de um deus univoco, desde o início tentei viver a filosofia que estudava como se fosse a coisa mais importante que fizesse na vida até então e por minha própria conta, independência e liberdade de pensamento encontraram um terreno fértil onde, alguns anos mais tarde, viria a florescer a escrita, e certamente assim foi, dado o limbo de onde vim em que algo perto de uma vida timidamente acontecia até então. Seria tão estranho se eu dissesse que o fato a depressão que me afundava num constante paranoia, tenha me seduzido a Filosofia e ajudado  de alguma forma a compreender os sistemas filosóficos, ao mesmo passo que a Filosofia me ensinou a não cair em suas “armadilhas”, também como me apaixonar pelas diferenças e através disso encontrar um meio de escapar dos labirintos da paranoia? Pode ser apenas o enredo bonito de uma história que gosto de contar para mim mesmo, mas de certo não está longe da verdade daquela época.

Mas talvez a mais importante contribuição em relação a escrita foi nessa época ter começado a acreditar e desenvolver a voz ativa de minhas ideias, e guiado por uma incansável curiosidade não ter vergonha de por em questão a verdade das coisas a minha volta e no interior. Deste modo, as andanças pelos rumos da existência que a vida me levou, foram e continuam a ser arrastados, embora de modo diverso, a compreensão de que tinha sim que experimentar as coisas e acontecimentos, mas igualmente debruçar-me sobre como havia acontecido. Essas eram as aventuras que esperava contar aos amigos.

Tentando não utilizar de termos técnicos para tentar traduzir, resumindo, as noites difíceis e toda a melancolia que desde que me conheço por gente esteve presente aqui, mas basta dizer, por ocasião, que foi ao seguir a correnteza desses ímpetos ao invés de impor ou aceitar algum limite que comecei amadurecer e assim cultivar, por assim dizer, algo para além de mim. Muito embora seja difícil traçar uma linha causal entre lá e aqui, essencialmente quando tento quase sempre pensar além da dialética e da mera causalidade. Não deduzir, por princípio, mas deixar ecoar em livre transito toda a multiplicidade de sentires nos lugares e tempos que todas as relações ofertam, através do que nos descobrimos e encobrimos no mundo. E diga-se de passagem, embora todo esse processo seja diferente de escritor para escritor, contar uma história, prescinde de uma boa diferenciação entre proximidades e distâncias, no sentido de verdade e mentira, contar uma mentira  é imensamente mais difícil que contar uma verdade, embora por isso mesmo requeira mais inventividade para sustentar essa mentira, mas como contar bem uma mentira , isto é como se fosse verdade, sem conhecer bem como é a verdade? Quase sempre quando me perguntam que tipo de história seria boa para começar a escrever, supondo que não exista nenhuma experiência anterior, respondo o seguinte: qualquer coisa menos uma ficção.

Perceber as distâncias e proximidades, assim o primeiro grande divisor de águas que tive de aprender a compreender para me aproximar mais de mim mesmo, sendo decisivo na formação da minha estética, foi a diferença na dualidade entre o estado de vigília e a sonolência. Hoje eu sei, embora tampouco importe, que sofro de uma grave de apneia do sono, mas essa designação nada quer dizer diante do cansaço, do ânimo arrastado, de tudo o que queria fazer, mas só tive a cada dia apenas umas 4 horas em pleno estado de vigília. Raros foram os dias diferentes disso. Não importa realmente se aqui havia uma nomenclatura para o sofrimento ou o motivo, a gente simplesmente lida com isso de algum modo antes sequer de haver uma ciência, e quando aquele estalo delirante para a criatividade na escrita chegou onde a via Filosófica havia apenas preparado o terreno, passei a escrever de um modo quando estava sonolento e de outro quando plenamente desperto.  Ao poucos seguindo a inspiração de a cada  vez em que me situava para ver, sentir, pensar, e escutando mais distintamente os ímpetos diferentes. Com o tempo a gente se habitua e deixa de ser estranhamento ou o próprio estranho abriga-se hospitaleiramente em nosso habitar, mas assim como deixou de ser uma questão aberta continuei a ir além.

Com toda a influência de escritores e filósofos que de fato trouxeram para a estética de seus estilos o dia e a noite, a criação e aprofundamento das imagens do dia e da noite surgiu de forma íntima na composição na estética do meu próprio estilo. Em verdade, hoje estão mais imagens-fontes ou imagens- fundamentos a partir dos quais começo a descrever uma relação com o mundo: assim como morte e vida, ou sonhar e lembrar. Deste modo essas imagens surgem em diversos sentidos, e não possuem a mesma fixidez que luz e sombra, assim como luz e sombra não possuem a mesma fixidez de carne e ossos.

Aos poucos a gente vai costurando nas entrelinhas das diferenças, e mesmo, porque não, descosturando, afinal, por mais colcha de retalhos que seja, existem os vazios deixados pelas coisas que se perdem e pelas coisas que ficam intocadas. Para ser bem sincero, por fim, não sei onde termina a descoberta de um estilo, e onde começa a descoberta existencial de um homem.

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Como a caminho de Ítaca

(Pintura de Peter Ilsted)

Minha amiga,
Que olhos, cheios de ilusão,
Suportariam ver, ao adentrar e encontrar-se, reles ossos,
Ao devastado silêncio dessas ruínas,
Que vento terrível, sopra o ar,
De todas as mortes insepultas,
E também as flores,
Que sozinhas, brotam em áridas e pedregosas paisagens,
Também tampouco recordamos,
Como um dia, adentramos ao mundo como da pequeninos deuses,
Na infância,
A partir do que, não atravessam ilesos os ramos,
e os esporos luminescentes de esperança,
Vagando entre sombras de estrangeira distância,
Ainda que como nós, continuemos sonhando tristemente,
Se a noite é um arrebol escuro e vazio,
Onde todas as coisas apenas retiram-se o silêncio,
Do impossível “quase”,
 
Ainda que como nós, e…
Como silenciamos, ínfimos, quando a claridade,
Derrama o sereno ruído de todo o sentimento,
Espargindo na alma, o canto agudo como a natureza de lá fora,
Se o vento arvora-se, farfalhando, e assim conversa com as folhas,
E os pensamentos mais altos e sábios em nós parecem sentir mais uma vez o frescor e assanhamento da primeira descoberta,
Ou se a chuva cai, e misturando o cheiro do céu e da terra,
As alegrias e tristezas interpenetram nossos pensamentos, como o turbulento rio, que ressurgisse dos subterrâneos, encharcando além das margens,
E, ao entardecer, com qual deslumbrante policromia vibram nos céus,
Levasse-nos ao êxtase do embate as luzes e as sombras da vida diante do que ficam em suspenso nas incertezas o que um dia se soube tão bem,
Naturalmente, parecem, os deuses de antes ainda se movem,
Ainda tão incrédulos, timidamente desprende-se a fé,
Como se em nós a criança de lá fora, ainda distraidamente crédulas,
Nessas horas amenas, e em que a serenidade convida-nos ao silêncio de uma oração,
Dirigimos-nos ao santuário de tudo o quanto pode haver de sagrado,
Qual lira toca o impossível regresso,
Ao coração selvagem de tudo,
E ser demora uma estação,
E então, e tudo de lá fora até mesmo em nós, sem cerimonia adentram a morada,
 
Deveras esse sonho em que tua presença aproxima-se,
E volto a acreditar na violenta força das tempestades,
Acredite no poder na possibilidade de mudança,
Onde se vê nesse devir do ser do humano um dever para com o ser em si,
E isso já me basta para sentir invadir-me a tua proximidade,
Tal como é o amor por tua amizade,
Talvez apenas pelo momento em que, nalgum tempo,
Consumou-se em nossos espíritos,
 
Bem sei, todavia, que o delírio desse horizonte não queima toda a febre da fantasia,
Mas se o menos por um instante me perco,
Deixo-me transcorrer da esperançosa revoada,
E sinto que entre nós confundem-se o bater das asas,
Voam aos céus as promessas que me rogo ao coração meu,
E deve ser o mesmo no coração teu, até quando se distinguem,
De ser um eu a sós, e por vezes o que sustenta,
Também me falha como o peso a voz,
Em uma tristeza da qual ainda vi amanhecer o brilho de um olhar cativado,
Anoitece,
 
Às vezes, ao contrário, não sentes que as palavras te enganam?
E por mais sentido tenham no enredo de uma prosa,
Ou na lógica de um ideal,
Destaca-se ao fundo, o vazio de algo que se esquece ao se sair apressado,
Parece que o sentido que verdadeiramente nos alcança se perdeu,
Na plumagem dos dias, e voando alto,
Plainamos, intangíveis, sem pouso,
Que o céu infinito em que o delírio poético se lança,
Almeja mais uma vez, a queda,
Mais uma vez, esfregar os pés na terra,
E sentir na pele o sentido áspero e fértil,
Da vida tão perto da morte,
E assim, traímos-nos, inventando o possível chão,
 
Assim bem sei, ainda que o sonho,
De acolher a flor perfumada de ânsia,
De teu coração,
E isso me escapa entre os dedos de toda a vida,
Que em nenhum sulco inscreve-se teu nome,
Da palma de meu destino,
Mas como se por um fugidio instante ousasse,
Soprando a brasa com todas as forças escassas do peito,
Tocasse os fios de teu cabelo negro,
Quando a noite ainda tece sua trama na penumbra,
Do que não se vê e também não desaparece,
E depois a boca tua diz,
Deixando no ar,
Apenas a palavra,
Deixando o largo estreito desguarnecido,
De que as estações vindouras,
Extraviam-se do caminho,
Disfarçando-se de sonhos,
Tão distante de tocar o possível,
Como o amor fantasia-se de paixões,
Nos bailes da vida,
E se perde sob a máscara,
Assim o futuro desvanece,
Como os deuses na obscuridade,
 
E o fumo do embaraço de ser eu a solidão tacitamente,
A cada trago,
Sufoca na bagunça do sentimento descabido,
Vigoro-me ante ao espelho das coisas tão crédulas de mim,
Junto ao sagrado findar,
Presos a opacidade de tua ausência,
 
Odeio caudalosamente,
À tarde triunfal da alma,
Que calorosamente abençoa-me a solidão,
Tão clara de tua ausência,
 
Deixe-me sê-lo sorrateiramente,
O impossível resguardado pelos mistérios de não saber,
Através bruma perfumada que sinto sem ver…
Sempre tão tarde, justo quando se perde,
Fere a luz de um farol…
E se esfuma todo remorso,
 
Mas imensa é a falta que você faz na minha vida,
Minha cara amiga… Continuar lendo “Como a caminho de Ítaca”