Fantasma de uma Filosofia

(Imagem: Pintura de Eric Roux)

Sonhar e sonhar,
Abrir os olhos ainda buscando,
Procurar por esse irresistível irascível delírio,
Que diz: “Algo ainda agora esteve aqui”,
Fantasma e epifania,
 
E como não estaria?
Se a luz da tarde invade a sala,
Raspando as cores do fundo da alma,
E lá meio brilha tudo,
Cristal colorido de um motor imóvel,
 
Conjurando ladrilhos coloridos,
Sandálias riscando um chão de estrelas,
Horizontes a perder de vista,
Fumo do espírito conjugando o verbo,
O aceno das palavras,
Pão e vinho e temperos,
Saboreando angustias e alegrias,
Dores e prazeres lançados como esferas,
Numa mesa de bilhar,
Com a única e derradeira verdade,
A velha tarefa de manter acesa a chama,
Numa profunda e escura floresta,
 
E lá no meio eu ainda estou vivo,
Engolindo a lua,
Tão estupidamente tácita,
E doce…
De ver teu gesto sorrindo,
Através do corredor.
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