Marina

(Pintura de Francis Danby)

Talvez um dia a encontre,
Entre as Plêiades ou Nereidas,
Nos esquecidos contos arcaicos,
Tão proximamente estrangeiros,
Onde as saudades esfumam como suspiram as ânsias,
Incessantes ondas sob as estrelas dessa constelação,
Ou chafurdar a crista das coisas,
Ao acontecer de sorrir,
Desde ti retecendo a trama de antigos laços,
Qual seja, perfaz o redemoinho apraz,
De detalhes lançados ao sortilégio místico,
Com uma besteira assim, de dizer,
Abrindo a vela da alma,
Para um caminho ou direção sem rota,
De um sentido a emergir das profundezas desconhecidas,
Alcançar as índias nas fronteiras do mundo,
Talvez seja, deveras, ao asserenar-se o tempo,
E da espuma, espraiar na areia,
A simples beleza no estouro de tons de cores impossíveis,
O beijo de teu Sol a resplandecer,
Nas escamas do hipocampo,
Ei-lo ao estarmos nus, deveras,
Vestindo primaveras e outonos,
Dias e noites,
E então, mergulhar,
Talvez trespassar-nos-ia o Narval,
Rasgando esse corte,
Para intimidade que nos despe,
E cantar com qual música o encantamento,
E tu, filha desses mares revoltos,
Tão breves e finitos sejam,
O sal de tua seiva, o sargaço de teus pelos,
Tua pele de água-marinha,
Também o é, o mar em meu olhar,
Amainando o marulho desses versos,
Conquanto, ainda sonhemos,
Elevamo-nos a contemplar o infinito distante.

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