Te colhes

 

Com tanto exaspero cantas teu amor ao inesperado,
Que é difícil não indagar,
Que certezas te empurram na direção contrária?
Que arrependimentos anoitecem-te a clareza do mais próximo?
Que assombros te assustam da espera?
Foges desesperadamente do que te espera,
E dizes amar ao desconhecido?
 
Meu amor, não fujas,
Colhe o fruto do teu íntimo,
Te colhes!
 
Deixas-te cair,
Tal é o fruto do existir,
 
Te semeies,
Te regues,
Te ergues,
Te vergues,
Floresce,
Frutifica!
 
E deixes-te cair..
Não te arranques do ramo
De tão perto,
 
Mas te colhes!
Não te deixes apodrecer na obscuridade,
E te alcanças,
Tolhes a ti mesma,
E te provas..
Enche a tua boca
De tua madureza,
Beija, lambe tua casca,
Finca os dentes nas adstringências
De tua polpa,
Arrendando todos os fiapos,
E bebes a tua seiva,
 
Apaixona-te de teu destino,
O bastante para criar raízes,
Te deixes arrebatar,
Assim, talvez um dia o vento intempestivo,
Te desenraíze de teu solo,
E te leve longe.
 
Guarda um solo fértil,
Para começar tudo mais uma vez,
Te trai consigo,
 
Aprendendo a amar,
Cada pedacinho,
De tua estória,
 
E amar é sempre uma estória,
Que se conta,
Colhendo,
 
Os roseirais.

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