Palavras que voam

 

Núbia,
Quantas coisas perdidas no ar?
Que tristezas indigentes,
E alegrias sem endereço,
Diz se existe mesmo um caminho,
Como ilumina o brilho do teu olhar,
Ensina, ou mostra,
Se surgirá mais uma vez,
Em acontecer, ou encontrar,
O tempo, a mudança?
E nos convidará a retornar ao mais íntimo,
E do verbo transitório, ser e estar,
Por um vento arrancado a permanência,
Esperando na calçada das esquinas de sonhar,
De pés nus na areia do cimento poroso,
Já arde o que há em atravessar e fugir,
E no azul vai como um Tordo louco e atroz,
E no fulgor dos laços que apertam,
E findam no céu do poente,
Se, talvez, então, que à deriva desse voo sem plano,
Possa ver surgir, o que de ti tanto recorda,
Já esquecer em mim,
Das alegrias e tristezas de um coração,
E algo como vida, desde o oriente vibrante,
Levanta-se no suspenso para alçar voo,
Qual Balão de São João ou
Pipas no ar,
Mas ainda ceifai as linhas, ó luminosidades,
Antes da noite,
Saltai sobre os muros de amanhã,
Que guardam estranhos quintais,
E trazei para tão perto e junto,
Sentir o suco escorrer estourando as fibras,
Como ao morder o fruto saboroso,
Que não se saiba adivinhar,
Se boca ou fruta.

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