Na orla das luzes

 

A hora chegou,
E o que esteve lá, escapou com os últimos raios de Sol,
E estivemos observando atentamente na saída,
Num tempo subitamente mudado,
Conjugando todas as marcas expostas que o dia deixou,
Reluzindo no escuro em que tateávamos: “e agora?”,
Tentando cobrir sem encobrir o calor remanescente dos sentimentos,
Ao frio desalentador de estar mais uma vez no mundo vulgar,
Quantas luzes em seu olhar, bem mais do que a anoitecida cidade,
Ameaçando se apagarem pelos cantos inabitados de toda essa gente,
E meus dedos amarelados, sujos de brincar com a areia e o vento,
Aventuraram-se através da neblina delicada e frágil da penumbra,
Envolvendo-a no aperto dum abraço,
Tão feridos de luz e verão infinitos,
Com a pálpebra macia daquele sonho evanescente,
Conjurando todos os deuses do vento,
Descobrindo a nudez do silencio em vastos campos verdejantes,
Através do revoltoso e enluarado mar,
O beijo.

2 comentários sobre “Na orla das luzes

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