O sonhador (Cais)

Invento o beijar o vento tácito,
D ‘esculpir com os braços do tempo,–
Sonho-a-dor,
Em toda a dor de encontrar,
Invento o ir tão longe,
Desemaranhar-se do braço dos amores,
E o que vai se lançar,
E não saber se vai saber voltar,
Perdido, não saberia o olhar,

Solidão, desenho o transbordante horizonte,
Tateio o desacostume em tocar,
E invento mãos maiores,
Carícias maiores,
Abraços mais fortes,
E a lua se expande sobre o mar,
Derramando o brilho prateado,
Nas escamas do impossível azul,

Sonho a dor maior,
E nas lentas ondas vejo dispersarem-se na brisa
As paixões moverem-se umas as outras ao redor da vida
Como cristais de ecos partidos da musica de meu existir,
Lembrando o ser menor,
E perco o reencontrar,

Mas me lanço,
No escuro vão ao desencontro,
E triunfam as estrelas das constelações de sinais,
E o regato imerso do sonho,
Invento o amor,
De todos os encontros e despedidas,
Em mim, o sonhador,

Invento a lentidão,
E o olhar mais uma vez se firma de encontro,
Eis o mar,
A deriva na serena claridade ao luar,

Sei a dor, sonho a dor,
E estão gravados no semblante,
De ir sem deixar,
E se te queres me encontrar, sonha-dor,
Invento o cais,
Invento mais que o pulsante marulho ao dobrar das ondas,
Um caminho a seguir.

Inspirado na música Cais de Milton Nascimento
https://www.youtube.com/watch?v=4TlvMFdyUXI

4 comentários sobre “O sonhador (Cais)

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