Naquele bar

“Das coisas que não se realizam por excesso, para as coisas que não são por não terem cabimento”

Neste bar, em que nos sentamos eu-tu,
Os braços do encontro se estendem,
Quando nossos dedos se esbarram,
Ao costume da intimidade, o luar,
Para servimo-nos de música,
E arrojado é o frio da garrafa,
Enquanto quente a dose destilada,
Transversalizando mais que dois copos para dois,
Ao alcance do que deveras há em comum,
Gostando do riso mutuo a que mutualmente nos ouve,
Entrelaçamo-nos,
Tentando equilibrar na tontura de ser cumplice do mais próprio,
Embriagues é poético delírio da descoberta,
Com que entrelaçamos e rompemos o terrível da distância,
E o silêncio que por vezes nos aproximas e outras tantas nos afastam,
Bolero em que nos tocamos, surdos a respiração,
Pelo avesso que é a alma,
Com o sonoro que ferve o sangue etéreo,
E é tanto que reviram os órgãos dos pensamentos,
Até as lagrimas dos olhos mesmos,

Já tarde, vou temer acordar no vão amanhã,
Quando envolto da ressaca devastadora,
Estarão apenas as garrafas vazias antes deixadas cheias,
Não verei as pálpebras descortinarem,
O palco erguido e verdadeiro daquela mesa para dois,
Em que nos despojamos da licenciosidade,
Ah amanhã que não trará,
O vestígio mais caloroso e mais intimo,
Bar vazio, de que o cego seguir, cegamente a deriva continua,
Nostalgia dos infinitos desconcertantes de teus olhos,
De que tudo é indicio e cantoria dum pássaro azul.

2 comentários sobre “Naquele bar

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