Nietzsche e uma pausa

Bom, minha proposta aqui sempre foi de publicar apenas textos de minha autoria. Mas vou abrir mais uma exceção, para um certo reencontro que precisei há umas semanas atrás. Nietzsche anda ainda, junto com Hölderlin, sempre por perto. De vez em quando encontro umas coisas que realmente vem ao meu auxilio na hora certa. Esse aforismo, cortado a metade, foi um deles. Não sei se consigo dizer agora, o quanto e como. Mas talvez fique claro, apenas pelo texto em si que se trata de certa tentativa de buscar a “cura” do pessimismo do cotidiano, através da defesa da verdade. Talvez caiba bem agora, nessa época de eleições em que geralmente surgem os “mártires”  e os defensores da verdade mais do que nunca. Mas não é somente este o caso, o caso é o nosso. Por qualquer razão que seja, quando a curiosidade por vezes tão injuriada de tanto obvio acaba se extinguindo e o que acaba que nos deixa a sós com a tal verdade cristalizada.

“Tenham cuidado, filósofos e amigos do conhecimento; evitem o martírio! O sofrimento “pela verdade”! E até mesmo a defesa de si! Corrompe a inocência e a sutil neutralidade da sua consciência, torna-os rígidos para objeções e panos vermelhos, entontece, animaliza e embrutece, quando, lutando contra o perigo, calúnia, suspeita, rejeição e até mesmo consequências piores da hostilidade, vocês ainda tem de atuar como defensores da verdade na Terra — como se “a verdade” fosse uma criatura tão inepta e inofensiva, a ponto de necessitar defensores! E logo vocês, cavaleiros da tristíssima figura, caros ociosos e tecedores da teia do espírito! Afinal, sabem muito bem que não pode ter importância o fato de vocês terem razão, sabem que nenhum filósofo até hoje teve razão, e que poderia haver uma veracidade mais louvável no pequeno ponto de interrogação que colocarem depois de suas palavras de ordem e doutrinas favoritas (e ocasionalmente de si mesmos) do que em todos os solenes gestos e trunfos diante de promotores e tribunais! Melhor se afastarem! Fujam para se esconder! E usem máscaras e sutilezas, para serem confundidos com outros! Ou para atemorizar um pouco! E não esqueçam o jardim, o jardim com grades douradas! E tenham pessoas à sua volta, que sejam como um jardim, — ou como música sobre as águas, à hora do entardecer, quando o dia já se torna lembrança: — escolham a boa solidão, a solidão livre, animosa e leve, que também lhes dá direito a continuar bons em algum sentido! Como torna alguém venenoso, astucioso e mau, toda longa guerra que não é conduzida com franca violência! Como torna pessoal um longo temor, um longo olhar em direção a inimigos, a possíveis inimigos!…” (Além do bem e do mal)

Por fim, já andava pensando em dar um tempo da escrita para organizar a vida e depois de um longo período tentando contato com “colegas” escritores e poetas, em todos os casos, altamente frustradas. Vou dar um tempo mesmo, estou sem inspiração alguma. Não que isso importe para alguém, mas enfim. Se houver a pergunta, aqui está a resposta.

Um comentário sobre “Nietzsche e uma pausa

  1. Obrigada por responder…

    P.s: Isso importa pra alguém! Só pra você saber… Mesmo que menospreze esse alguém que te admira e até tolera sua indiferença como se fossem poesias, aqui, em mim, sempre haverá uma amizade sincera e leal, aquela que você devia aceitar de bom grado, mas que rejeita sabe-se lá o porquê. De todo modo, desejo que saiba que eu vou realmente sentir falta do seu talento e de suas palavras… E vou esperar que volte logo! Não importa para você minha opinião, mas sou honesta em dizer que ficaria feliz que um dia pudesse me considerar como parte de sua seleta rede de amigos, e mais… Eu acredito em você e no seu imensurável talento!

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