Primeiro impulso

 
Primeiro havia a santidade,
Respeito e veneração,
Ali onde aprendeu a amar,
Amarrados aos laços de um só coração,
Tão jovem, tão delicado,
Respeitoso,
Avido em admirar,
Frente as sutilezas com que,
Aprendeu a orar, e adentrar no templo 
Como se segurasse a mão que o guia,
Agora domina,
A violência no olhar fascinado,
Da primeira criança que ainda dorme,
Um sono leve.
 
Depois,
Como se algo houvesse ferido seu orgulho,
Um terremoto sobre a superfície da calma,
Uma tempestade tangível diante do curioso olho que desperta,
Sacudida, derrubada, arrancada,
Impetuosa e fervorosa,
Uma vontade arde em seu peito,
Um ódio ao amor,
Contra os antigos deuses que acalmavam seu medo,
Surpreendido de vergonha pelo peso do que fez,
E uma alegria de tê-lo feito mesmo assim,
A força de fazê-lo estava ao seu alcance,
Um arrepio de embriaguez,
E uma vitória, enigmática vitória,
Contra quem? Não se sabe,
Mas ainda uma vitória.
 

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