Moça, as fases e esta Lua.

Moça, quem sabe um dia nos encontramos por aí, e dividimos um pouco do quinhão de dor e desamores que nos coube nesta vida, talvez, se for o caso mesmo, comparemos nossas angustias, e por fim riremos da parte engraçada disso tudo, como se cobríssemos e acalentássemos as feridas ainda abertas um do outro.  Como bons amigos costumavam fazer, em outros tempos, em outros eras, em outro sistema solar. Enquanto isso, no nosso, e em nosso melancólico planeta, todo recoberto dessa estranha substância azul, se importa a quem importa, o que naquela antiguidade, sábios e profetas chamaram de a substância essencial a vida, nunca foi tão rara, e vemos constantemente que vida continua sem ela. A nós, contudo, que a tudo parecemos ter chegado atrasados, definharíamos isolados nalgum canto, se algum dia desistíssemos de buscá-la. Mas, com toda essa lentidão, toda essa entranhada capacidade de multiplicar os problemas, a começar por nós próprios e nossas tão diversas fases de si. Deixamos sempre a pressa passar, com suas incontáveis pernas, essa centopeia da modernidade. Por vezes, também o medo,nos passa e toma a dianteira, pois ele urge e parece não parar de crescer, como uma trepadeira venenosa, e aí de seus espinhos, que nos fitam profundamente os olhos como se nos conhecessem por dentro. Mas  este medo é mesmo mais profundo, e cresce em nós, herdeiros que somos do que veio de trás, do que, visto de outro modo, facilmente se distancia, e pode até ser dito que todos temem e todos tem história, mas apenas para quem se pergunta e busca por ela honestamente, como se não pudesse deixar de fazer, e tem a audácia, se assim posso dizer, de fazer das diferenças em si uma encruzilhada, é que esse movimento toma a forma de conflito, e os riscos se multiplicam e se aprofundam.

Todo pessoal enigma da existência, parece conter esse difícil e árduo trabalho de que se venha aprender a formular a questão com os termos e no lugar certos. Moça, por vezes eu mesmo me vejo com tanta indiferença, tão indigno do quer que seja, e por outras, sei que o que treme quente e baixinho no peito, continua a existir ainda que seja raro; que uma ausência ecoe, isso nos tinge de cores em sentimentos tão diversos, e o quanto é difícil de abandonar quando a gente acha que encontra, e é tão miseravelmente que é possível entender que tudo se foi e algo nunca entende, como se fosse um sonho do ponto de vista de um pássaro e algo nunca voa, bem por onde um eu-lírico se desdobra em sua indivisível plumagem azul e sem pouso, por milhas em incontáveis oceanos, quando por muito encontramos outros, como nós, sabemos, mas nunca até onde.

Há tempos, me perguntei que face tinha esse medo, e o peso da resposta que me golpeou o coração ainda hoje me comove terrivelmente. Tive de aprender o que era abandonar, viajar, deixar…De fato, o medo nunca deixa de existir, a gente apenas a torna uma luta justa, e não mais unilateral.

E, bem, moça também sou um tipo insistente, mas que ainda se surpreende. E confesso, tem sido um mimo um convalescença  sentir esse coração bater e arfar em seus pulos doidos, e tenho de lhe culpar por isso. Não sei dizer o motivo, passei uns dia vendo o quarto crescente transformar-se Lua cheia.

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