Coração e resistência

 
Por uns dias,
Faltava paciência,
E uma hesitante agonia,
Dominava,
Tinha de ganhar,
Depois de ter perdido tanto,
Um pedaço deste céu azul, que fosse,
Desta tarde embotada que fervia nas vísceras,
E cuspia, suava, sangrava, o vapor,
Coisas dum cheiro manso e nostálgico,
Qualquer batalha interminável no horizonte,
Envolvendo a vida mesma,
Com tanta angústia, tanta dor,
E um saboroso brinde de rara alegria,
Incertos e incipientes instantes,
Ainda tão alquebrados,
Como a ultima folha seca do outono
da alma,
Mas ainda havia mais,
Com essa maldita valentia,
Dum coração insistente no amor,
E na sinceridade.
 
E como se deitasse sobre a terra úmida,
E definhasse o corpo do cansaço,
Dava conta, do que já sabia,
Não  havia uma semente,
Mas multiplicação,
De um pedaço de coração, de espírito, desta vida,
 
Então, respirava fundo,
E ia atrás do tempo,
Precisava criar, habitar,
Juntar as peças,
Enterrar os mortos,
Derrubar as lágrimas,
Parir os vivos,
Dançar com os demônios,
Porque eram meus,
Tentar,
Tentar mais uma vez,
Existir,
Existir mais uma vez,
 
E não era o bastante,
Tinha que gritar,
Alto,
Mais alto,
Mais longe,
E quem sabe então,
Unir em torno desta fogueira,
Os espíritos dispersos,
Quem vagam por essas noites,
E que soubessem que ainda existe,
Uma verdade,
Um coração,
Um aço,
Que vacila e treme,
Mas não dobra.
 

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