A hora e o tempo

Meu amor, o tempo parou naquele instante,
E não fica menos imóvel, agora,
Que despertamos em outros instantes,
Como o relógio de bolso daquele soldado em Hiroshima,
E há muito disto na abstração erguida de como o que tolda
As curvas de um rio,
O suave declive das dunas,
A beleza do corpo de uma mulher, como você,
Diferindo com o Sol pálido deste momento,
Que brilha através das espessas nuvens invernais,
Num dia chuvoso,
Hoje diluímos o ardor numa outra febre,
Ou correndo debaixo de tanta chuva,
Sendo indiferente a nossa própria indiferença,
Que esteja sobre o halo quebrado de um mero guarda-chuva,
Como o é o tempo na metáfora do relógio,
Com seus braços que unem e separam os instantes,
É talvez, cedo agora, para que você perceba,
Que enquanto sentados e sem pressa,
Brincamos de desenhar passando o lápis sobre os contornos do movimento do que foi visto,
Como você faz nos seus belos e grandes olhos,
Mas não para parecer e nem correr, nunca mais,
 
Porque o ponteiro nunca parou,
Porque o vidro do relógio não guarda a matéria do tempo,
Porque nunca houve o tempo certo ou errado,
E vivemos da arte de reinventar o eterno-mesmo, 
E o certo é que o mais remoto guarda a única possibilidade que temos,
De seguir em frente.

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