Um homem morto

Às vezes penso, que tempo é esse?
Essa superfície, que não quebra como o gelo do lago congelado,
E fica como que partida, ali, sem afundar ou derreter,
Que impeto de conservação é esse, que age como um segundo inverno,
A manter coeso através do frio os pedaços soltos?
Amanhã, preparar a bagagem, desatar todos os nós,
 E partir…
Quem sabe, talvez sim, mas talvez não,
Posso imaginá-la aí sentada,
Balançando a perna inquietante das atribulações de ir,
E no, instante seguinte, ter que ficar,
Roendo as pontas desgastadas dessa estrela,
Já quase apagando,
Nenhuma outra fez transbordar tanto os teus olhos,
Tão certo, eu? Não como você,
Fraturando a medida justa do teu quinhão de tristeza,
Ainda presa ao deslumbramento do primeiro alvo,
Amanhã quem sabe terá de abandonar esse velho amigo,
Como se finalmente largasse a cauda do cometa de antigamente,
Eu mesmo, me pego, de quando em quando,
Tentando descifrar esse enigma, e nada me levou a solidões e noites mais escuras,
E se de mim parece emanar uma aura de certeza que ressoasse a queda do peso no semblante,
Que diria em meu auxilio que não um tímido sorriso de que “isso também passará”,
Que o lado do lado do lado pontuando o refinamento em causa,
Não transmitiu que queríamos com isso competir com o infinito,
Odiando cada vez mais o que essa paixão nos causa,
Me desdobro e observo a distância ensurdecedoras essa música, sempre a mesma,
 Eu que amo o canto de cada esquina,
Deixei que o meu canto batesse a cabeça na quina do desencanto, 
Quase poderia dizer, “vai minha irmã! afunda as raízes nessa loucura de amadurecer,
Vê-de o prazer de agigantar-se sobre o próprio retorcimento,
De ver os outros retorcendo-se em suas misérias porque são suas,
E a dor de quebrar em prantos,
E no dia seguinte ter mais um vez o teu juízo final,
E não ceder ao esquecimento”,
Quantos gritos abafados existem no murmurio no riacho que nos percorrem,
De quando as vezes a cachoeira e a corredeira de espumar nas pedras,
Esfumo para ti esse meu pássaro cinzento e melancólico,
De pegar o trem e dizer,
“Não há magia nesse mundo”,
Aprende a tragar as facas na goela da incerteza,
 
Agora, agora…. Quero matar mais de um suicídio,
E pensar na fantasia,
E quantas paixões a gente tem que seduzir por dia,
Apenas para não morrer sufocado com a própria imagem.

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