Banho quente

Já era tarde,
E o velho Sol se punha no horizonte,
Lançando sobre mim
o amarelo e o vermelho
da ultima baforada
 do dragão do
poente
tão exausto quanto eu
mais forte, de certo
ainda era forte
ainda havia luz
causando certo desconforto
no corpo vencido
Cansado demais para ir-atrás,
apenas ficava com olhos fechados
vendo a vermelhidão
por de trás das pálpebras
Arriscando abri-las,
apenas um pouco
Para ver,
meramente,
fumaça rodopiando
Então, fechava novamente,
apertando bem os olhos e tragando outra vez,
Fruindo nisso,
Trazendo lentamente as lembranças
daquele banho quente
tomado com ela,
aprendendo pela primeira vez
os prazeres de fumar no chuveiro
– Espera, estou acabando o meu. 
Vou te ensaboar o cabelo para não precisar apagar. Ela disse.
Acenei com a cabeça e fiquei ali parado,
Apenas observando,
Enquanto ela se apressava para terminar,
Parecia que estava derretendo
Como o shampoo que caia na palma da sua mão,
E ela, esfregou isso na minha cabeça,
Enquanto, via tudo,
Através de um espelho na parede,
Por uma fresta, 
Tranquilizando meu silêncio,
Indo cada vez mais longe,
Até o fim,
quando acabou,
e o incomodo foi embora
abri os olhos,
e já era noite.
 
Ainda podia sentir
o gosto de sabão
da sua boca molhada
quando
não mais a tive
ao alcance de meus braços.

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