O Sátiro

Quem não viu a gargalhada plena de escárnio,
Num espelho, à curva de toda estrada,
Como um espantalho no meio da plantação,
Se fazendo de amuleto contra os corvos,
Na elevação dos dentes do tédio,
Acima do mero bocejo,
 
Há esse fluido que evapora fervente no corpo,
Quando a caminho do coração descompassado,
Embriaguez feita a atravessar as noites,
Marcando rastros,
Deixando o momento fendido
Como os cascos que puxam a carruagem,
Então, vestido do gesto febril —
A máscara do palhaço,
 
Um fundo falso para cada instante,
Contra o ser naturalmente miserável
Do ócio castrado,
Fugindo ao sol fraco dos idiotas,
Que castiga com chicote de banalidades,
Tornando servil a alma,
 
Resta a luta solitária pela paz,
Atirando sentimentos em forma de pedra,
Na vidraça das lojas e comércios,
Em seus rostos pasmos e desalmados,
 
No meio da rua,
Virado ao avesso,
Alto, riso alto… Fantástico!
Em caricaturas que parecem teatro,
Mas grita,
Sem plateia:
Que é barato
Barato
E terrível…!

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