Na conta das vivências

Quem sabe amanhã será o dia,
Fazer o imposto de renda da vida,
Fechar a sem conta das vivências,
Quem sabe amanhã, o dia,
Declarar-me alguém que nasceu
sob a constelação da solidão,
Quem sabe, direi,
Direi que não há desperdício maior
que o meu,
De tentar em vão tentar,
De perceber também em vão,
Que andei morrendo mais que vivendo,
E ansiando pela hora de enterrar
meus mortos,
No cemitério do tempo,
Mesmo, demais cansado do tempo,
De vagar carregando o peso dos segundos,
De ter que conquistar o direito de sonhar,
Mas haverá algo além
de leituras de cabeceira?
A espera,
A luz do quarto acesa e apagada
na madrugada,
Meu pulso morto
sobre o pulso vivo e febril,
Vestindo este cadáver
de camisa velha e furada
e me declarando morto…
Ironizo isso, é claro!
Planejo meu golpe,
Além disso, há sempre aquela piada,
A levantar
durante o velório.

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