Sobre o gênio fraco às amizades

 
 
Tive sempre esse gênio fraco às amizades,
Talvez seja porque perdi desde cedo o caminho para casa,
Sonhava já menino encontrá-la nas ruas incompreensíveis
De vizinhanças cada vez mais distantes,
Ficando sempre mais tarde nas ruas vazias da hora de jantar,
E não encontrei se não o desencontrado,
Inventei, inconsciente disso,
Magoas imperdoáveis, e sofri lentamente este fardo,
Por isso, inventei ainda um meio caminho desolado,
Doente das insolidões de minha pequena alma, 
O meio caminho de nunca chegar,
Curando-me assim contra as paredes e o teto, do abismo,
Atingindo uma superfície madura,
Que enraizou-se-me os ossos,
Além disso, fiquei vazio,
Incurável do meigo anseio pelo amigo,
Inventei algo impossível,
E assim,
Segui o caminho sem volta,
E o sem volta do caminho seguiu-me profundo até o nó
Que travou-me a goela,
Dum choro preso
Dum sonho inefável
O longo caminho estreito,
Duma cidade fantasma.
 
Manter-me assim, a mim mesmo,
Tirando-me da rota,
De perder-me ao encontro,
Daquela amizade que me fazia fraco.
 
Homem feito hoje,
Homem feito de aspereza.
 
E o bom amigo diz: “eu sei!”,
– Eu sei, mas o homem fraco destoa.
  Um homem forte, não tem amigos! 
 

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