Desconsolo

No peito, há sempre este ardor,
Não sei a que custas arde,
Mas arde ainda que não saiba,
Uma angustia desviada para rotas longínquas,
Não sei o seu nome — onde encontrei que esqueci?
Soube um dia, e perdeu-se num vento,
Encantou-me naquele tempo, qual não sei,
Sei que me incomoda dum vazio: “não mais será”,
Esquecido de algo a respirar,
Falham-me os passos, quebrados pela metade,
Atento aos ecos que ressoam,
Invencíveis no escuro que não vejo,
Outras vezes, vendo que não escuto,
Situo-me meta-projeto dum meio-caminho,
E algo acende dum cigarro a mão exposta,
Seduzo que há fantasmas de passos a penumbra,
E fazem sua orgia, na fumaça,
Como uma comunhão de proto formas femininas,
E penetro-lhes as densidades fugidias,
Quando algo se forma,
No que se cruzam seus corpos quase-impressão,
No desconsolo sem propósito,
Desta longa sucessão de cômodos vazios.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s