Bolero Lilás

Simplesmente adoro vê-la dançar,
Erguendo a taça acima da cabeça,
Transbordante de mui doce essência,
Que a girar, girar, girando,
Deixa cair no corpo,
A metade que lhe veste dum bolero lilás,
E vigorosos seios à mostra,
Enchendo com leite a outra metade,
Para servir-me por completo,
A taça da felicidade,
Que faz de mim um idiota,
 
Ponho sobre a mesa e não bebo,
Mui duro fardo me pesa no rosto como concreto nas paredes,
Mas ela me fura os olhos negros de noite com alegria,
E peito estremece, e mãos tremem,
Tremor range até me ruir o chão,
“Sai!” dou um grito,
Demasiado criança são seus olhos,
E ela gira, rodopiante vestido,
Que se contorce,
“Tem cheiro de rosa macerada em giros”, eu penso,
E pensando assim, de cabeça alta,
Cai-me bem este paletó puído de solenidade,
E a mão no bolso encontra uma nota,
Redescoberta na rachadura de um riso,
Esboço perfeito da dança que espera adiante,
Então fumo o momento de aviso,
E digo que não se deve fazer um homem assim,
Feliz apenas por uma noite,
De língua a mostra, acordo feito,
Bebo e bebo, até que haja tudo,
Exceto nada.

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