Tu, que hoje com os olhos me veste de um brilho cadente,
Confundiu-me ao pássaro acinzentado que no auge da ponta, desfalece,
Crivando-me a opacidade do temor, que queima em febre o fio da alma,
Más lá, ao contrário, há o fulgor em revoada das asas em chamas,
Ondulante no horizonte, em dança baixa pelas relvas silvestres,
Se pairavam depressa eram dantes refugos de fumaça,
Descendo cortinas de bruma no poente,
Que oculta, todavia não esconde,
Lá, para quem teima valente o olhar, há a batalha silenciosa dos astros da penumbra,
Com esse dragão cuspindo fogos-sem-artifício,
Lumiando o caminho antes que a noite venha,
Cozendo vermelho bélico nas bordas do amarelo tingido, a cada trago,
Atrás da montanha fumegante que nua e pálida nas areias frias do deserto,
Com a compostura calma e sólida de um gigante,
E estampando no rosto,
Um riso, um riso.
 

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