Alma em partículas de poeira

I
 
No alto da tarde do despertar de um dia,
Respingavam no quarto os restos infames dos últimos raios de luz solar,
Com a vida, toda despreocupada, exibindo-se na infância tardia destes eventos,
Já tão longínquos ao alcance do olho,
Todas, todas as cores queimavam em brasa, lentas e brandas,
E tínhamos prazer em jogar os jogos nas cinzas ao vento,
Seguindo o retorno ébrio do deus em partículas de poeira,
Navegando ser: partida ou chegada, Na cama morna daquele derradeiro facho de luz.
 
II
 
Fechei os olhos, e cai na noite,
Como quem fecha as janelas,
Em plena, em plena luz do dia,
E ainda vê a vermelhidão surgir,
Por de trás das janelas fechadas,
Em plena, em plena luz do dia.
 
Luz que esconde um limbo,
De alma em partículas de poeira,
E os laços remanescentes,
Na fumaça que foge ao cigarro,
Dores, perfídia, cinismo, e, sobretudo –,
Cheiro de primavera no quarto abafado.

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