Os trabalhos do menino mateiro

Que ingênuo menino rola mateiro,
Sobre faia e musgo de chão de inverno,
Levanta tonto e embolado, tateando,
Com os pés, o junho de seu nascimento,
Já desce apressado o Sol, já aparece,
Alta a lua dentre nuvens cinzentas,
Mãe logo grita ao filho travesso,
De brincadeiras sujo:
Presta esforços ao tempo,
Menino senta manso e feito,
D’ baixo d’ arvore,
Ao vento agradece boca sorridente,
De janela em brancos brilhantes,
A máscara de lama escura espessa,
Agradece a brisa meio fria de volta,
E assim podendo, ao som de injúrias,
Sob costo d’ arvore e céu de estrelas,
Embalos e macios toques de vento,
Arribando folhas,
À luz já bem fraca do poente,
Dormir sossegado e trabalho feito.
 
 

*Acredito que esta poesia, escrita a alguns anos atrás, tenha sido meu derradeiro acerto de contas com a infância. Sim, a criança também trabalha, e, por sinal, é um infantil preconceito acha-lo que não, e como diria Hölderlin, a criança é um deus, então, sem maiores pesares, sua labuta é divina.

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