Noite das cinzas

Pedem por algo,
Ofereço fogo,
Não contenta,
O silêncio pesa,
Vou embora,
Abaixando a cabeça na noite,
Caminhando, apagando,
Do escuro, somente fumaça,
Alguém viu incandescer,
E, virou o rosto,
Recostei e cai,
Nalgum canto mal iluminado,
E de meus olhos vazaram as cinzas,
De ¼ de século de paixões,
Já extintas.
 
 

*Me lembro bem de certo em dia que sai, pela primeira vez depois de muito tempo, sozinho. Me lembro de perceber que no local onde estava só havia um único cardápio, escrito num pequeno quadro, e que mesmo os garçons não conseguiam ler, e, ali, nos embalos de um triste jazz, ter chorado, e havia ainda mais tempo que essas lágrimas estavam lá, acumuladas em algum lugar. Por fim, no caminho pra casa imaginei uma figura feminina e jovial caminhando pela noite, como que riscando um quadro negro e esfarelando seu corpo de giz onde quer que fosse, até a soleira da porta de casa, ilegível estrada. Esta imagem, este pensamento, aos poucos foi mudando e acabou por se tornar A noite das cinzas. Penso que, a partir daí as coisas mudaram, e tudo que tenho escrito desde então, são de frutos desta mudança, deste amadurecimento, do enraizamento na solidão – serenidade. 

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