Temor diante do desconhecido

Quanto temor não há diante do desconhecido, quanto a facticidade não exigiu do ser humano arte para compor mentiras que substituíssem o sentimento de insegurança diante daquilo que a ele é estranho. Por isso também se julga com tanta displicência aquilo que surge pela primeira vez, com um magnetismo quase que irresistível pelas aparências, pelas associações mais ligeiras e práticas que podemos fazer, mesmo quando lidamos com pessoas.

Quase que se adquire, com o tempo, uma pele, uma membrana que envolve a consciência, que delimita e ao mesmo tempo sente, aquilo ou quem se quer conhecer pela sensação que ela causa, e mesmo ali com tão pouco com o quê pensar com tanta superficialidade. Isso é uma grande mentira, um grande engenho maquinado para substituir a falta de capacidade por um gosto de pés curtos e ligeiros, trocando a dificuldade de se lidar com o intelecto quando ele ainda tem pouco, quando ainda é insuficiente para ver mais além do que aquilo que se sabe pelo habito, e circunscrevendo-a com o surgimento dessa aversão sensivel aos impactos da adversidade, essa ilusão de sentir algo como se pensa, de chamar o sentimento de pensamento, de dar a abstração alguma concretude pela qual a insegurança é agora curada pela precaução do impenetrável.

Não quero mais ser injusto com tudo aquilo que me vem acontecendo nesses últimos tempos, não tenho pele dura e corpo mole como esses insetos que ando vendo por ai, mas precisava ver como meus próprios olhos e digerir com minhas entranhas um pouco disso sobre o qual falei, e muito mais que ainda há de ser dito, em seu tempo, é claro. Também sinto, também sou surpreendido às vezes, talvez num grau ainda maior do que o costumeiramente se observa num paladar mais vulgar, por assim dizer, contudo tudo aquilo que satisfaz esse gênero de espírito para mim não é nada a mais que pré julgamento, pré conceito, uma primeira disposição diante dos limites do reconhecimento e apreensão de um novo conhecimento. E nunca precisei me sentir seguro, pois simplesmente não crio a ilusão de que há um jogo de dominação (dominado-dominador) em minha mente. Sim, há hostilidade no mundo! Mas o que ela tem haver com o livre pensar? Absolutamente nada! O conhecimento já é prisão suficiente para que se ponha ainda mais muros e grades sobre ele.

Foi quando a primeira porta bateu na nossa cara e notamos que aquilo que queremos não é sempre aquilo que acontece, mas parece que poucos puderam se contrariar um pouco mais e elevar esta questão ao exame de suas próprias vidas, e ainda quiseram dar asas de liberdade a sua vontade ao custo que fosse necessário, mas nem o custo foi pago, e nem a vontade se concretizou.

“Se foi preciso tanta arte para que conseguiste lidar com tudo aquilo que de fato acontece, conformando a verdade a tua boa vontade, com estas ilusões e pedantismo, imagina o quanto mais de força seria necessário para fazer justamente o contrario disto, conformar teu querer ao mundo. – “Como assim eu tenho que me conformar com a realidade? Não posso querer mudá-la?” – Não meu caro amigo, como sempre já esta fazer conjecturas com teu sentimento segurança! A questão que ponho aqui e agora é que construíste sobre o mundo uma visão dele a conveniência da tua vontade antes mesmo de saber o quê é este mundo e esta tua vontade, ela te serve como o fundamento à priori da tua percepção que permanece até estes dias cega e surda para o que não seja o conforto que sentes quando já está seguro, quando já está certo de que de que o tem nas mãos, pois o que tens nas mãos está dominado, e isto para ti é a certeza é a verdade, pois então tua vontade não foi contrariada, esta mesma, a de não estar inseguro.”

O temor da mente traduz-se em tremor no corpo, e sejamos mais honestos do que artistas que tentamos ser até agora. A verdade não é aquela bela mulher com sorrizo estampado no rosto, e nem reconhece teu esforço em direção a ela com algo de bom-grado, mas é a ela que dedicamos nossa luta! Nós! Não vocês, preguiçosos! FALHEI

Um comentário sobre “Temor diante do desconhecido

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s