Primeiras impressões

Ainda é dificil para mim compreender como algumas impressões da infância se tornam tão vivas dentro de nós, que mesmo tanto tempo depois e contrariando a vontade mais intensa que pulsa no aqui e agora, ainda carimbam cada informação que lhe diz respeito com o seu aval ou negação. Um exemplo disso em minhas experiências e que posso distinguir claramente, ocorreu quando eu finalmente percebi que havia mais do que uma simples diferença entre mim mesmo e as outras pessoas, na verdade um grande e profundo abismo se extendia entre mim e elas, e tudo me indicava isso, ouvia vozes, sussuros, gritos vindos do mundo me alertando sobre esta grande verdade que se escondia por traz da aparência (eramos humanos que viviam próximos, e que tinham formas de expressão parecidas aqui e acolá, certo?). E mal havendo feito essa descoberta, e tentando buscar fazer toda espécie de comparação que pudesse tornar possível distinguir um dos outros. Surgiram outras vozes em todos os tons, e mesmo em tom algum, que incindiram seu alerta sobre o inverso disso, que precisavamos ser iguais, que ser diferente era errado, que a coesão entre o mundo e cada nova pequena descoberta que havia fazendo deveria ser anulada, desconsiderada, ou ao menos maquiada pela distinção do comum, da moda, do nós, ao invés do eu, mesmo sem que se fosse descoberto o que é esse eu, essa diferença que nos distinguem tanto. Certamente que nos dias de hoje, muitos anos após essa primeira impressão ter surgido, ja posso até explicar, e muito bem, o porque de tudo aquilo, mas a impressão, essa viva marca que me diz sempre para procurar por distinções, e do outro lado por equivalencias nunca me deixou e no entanto me parece ainda hoje misteriosa.
Assim, recentemente, pude notar o quão essas impressões são fortes, e quando não são adequadamente apropriadas ao uso no dia-a-dia, afim de que se consiga dar-lhes um função onde se possa aplicar sua força de um modo que seja reconhecido na própria consciência de si (auto-consciência), essas impressões que com o tempo se tornam nossos impulsos mais individuais e cararecteristicos, passam a ser não apenas misteriosos, mas também instáveis e estranhos, que por vezes se tentar dar a eles vazão de qualquer forma e de qualquer jeito, oprimindo ou subjulgando os outros impulsos e formas de pensamentos.
Por motivo da diferença, exatamente neste ponto, na conciência, e na falta dela, do próprio tamanho e força, perdemo-nos de vista, e acabamos, enfim, passando por desconhecidos perante nós mesmos.
Mas é como se diz por ai: “a primeira impressão é a mais importante”.

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